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Projeto Urânio no Brasil é tema de debate entre SGB, MME e INB para acordo de cooperação técnica

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), instituições vinculadas ao Ministério de Minas e Energia (MME), se reuniram em 15 de janeiro para discutir o aprofundamento da cooperação institucional e técnica entre as entidades, tendo como um dos eixos a construção de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT). O diálogo teve como foco o fortalecimento dos estudos geológicos voltados à prospecção e à avaliação do potencial de urânio no país, além da articulação de ações conjuntas e estratégias integradas de interesse comum em áreas da INB.

O encontro foi dedicado a debater o potencial  geológico do Brasil para depósitos de urânio, com destaque para áreas previamente mapeadas pelo SGB e bloqueadas em nome da INB. A formalização do ACT, caso seja concretizada, tem como objetivo a elaboração de planos de trabalho específicos para cada área e suas respectivas atividades, garantindo organização, acompanhamento técnico e integração entre as equipes das duas instituições. 

“A cooperação abrange diversas áreas das geociências e dos recursos minerais, incluindo análises preditivas, economia circular e estudos econômica de recursos minerais, além do compartilhamento de dados, conhecimento técnico e infraestrutura, ou seja, o acordo seria um avanço para o conhecimento do território do nosso Brasil, afirmou o diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões.

Foco no sul do Pará

Um dos focos específicos do acordo é a região de Rio Cristalino, no sul do Pará, área que já apresentava indicativos de potencial para urânio identificados pela antiga Nuclebrás em estudos realizados na década de 1980. Atualmente, o SGB tem desenvolvido projetos de mapeamento geológico, na escala 1:100.000, considerada estratégica para avaliações regionais e o Projeto Urânio Brasil, focado no potencial para grandes depósitos de urânio que a região possui.

Entre 2023 e 2025, foram executadas três etapas de estudos, que resultaram na identificação de 16 novas anomalias com potencial para mineralizações de urânio. Em 2023, foram identificadas oito anomalias; em 2024, mais seis; e, em 2025, outras duas, evidenciando o avanço progressivo do conhecimento geológico da área.

Durante a reunião, o diretor do SGB,  Valdir Silveira destacou que o ACT permitirá avanços importantes na qualidade e no nível de detalhamento das informações geológicas. 

“Essa é a escala mínima para atrair investimentos, por oferecer um grau adequado de confiabilidade para o setor produtivo, mas não significa que seja a única.Com mais recursos, quanto mais avançamos nos estudos, maior será o potencial mineral que vamos conseguir identificar de forma a avançar ainda mais no conhecimento do país”, afirmou.

“Estamos avançando de maneira consistente no acordo, com sinalização positiva para o aprimoramento das ações conjuntas e o fortalecimento da cooperação”, detalhou Tomás Filho.

Próximas etapas

Os próximos passos previstos para as áreas estudadas incluem a realização de datações cronológicas, coleta e análise geoquímica superficial, levantamentos geofísicos com uso equipamentos de magnetometria e gamaespectrometria embarcados em um drones da Divisão de Geofísica da DGM,  e atividades de campo voltados à coleta de dados geológicos detalhados. Essas atividades visam refinar o entendimento das ocorrências identificadas e orientar futuras fases de investigação.

Com o ACT, SGB e INB reforçam a cooperação institucional e o papel estratégico do conhecimento geocientífico no desenvolvimento sustentável do país, amplamente discutido dentro do Plano Nacional de Política Mineral (PNPM), criando as condições e ampliando as bases técnicas para o aproveitamento responsável dos recursos minerais e para o fortalecimento da soberania energética brasileira.