Embora seja uma das atividades mais desafiadoras e complexas do setor produtivo, a mineração subterrânea vem se tornando gradualmente mais segura graças ao avanço tecnológico. Equipamentos de automação, monitoramento e contenção de rochas, aliados a sistemas inteligentes de comunicação e detecção de riscos, têm sido decisivos para promover segurança em ambientes abaixo da superfície terrestre.
Entre os principais riscos enfrentados por trabalhadores em minas subterrâneas estão o choco — desprendimento de fragmentos de rocha —, desplacamentos causados por falhas geológicas, além de choques elétricos, soterramentos e colisões entre homem e máquina. Nesse contexto, “a inovação tecnológica tem sido uma aliada fundamental para enfrentar esses desafios”, comenta Gustavo Rezende, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Epiroc. Quando falamos em choco e desplacamento, por exemplo, os equipamentos mais relevantes são os de contenção, como o Boltec e o Cabotec M10. O primeiro faz a perfuração e aplica o tirante de forma mecanizada, fortalecendo o maciço rochoso e evitando desprendimentos, enquanto o segundo realiza a aplicação de cabos de aço, aumentando a estabilidade das galerias.
Além das soluções de contenção, tecnologias voltadas ao monitoramento de riscos geológicos e estruturais também têm evoluído rapidamente. Um exemplo é o Fog Light, dispositivo instalado em ferramentas de perfuração da Epiroc que detecta movimentações na rocha. Quando há deslocamento, uma luz vermelha é acionada, sinalizando perigo de desplacamento iminente. É um sistema simples, mas extremamente eficiente na prevenção de acidentes.
Outra frente de inovação na mineração subterrânea está na automação e operação remota de equipamentos, que têm retirado o trabalhador da linha de frente de risco. Carregadeiras com controle remoto e perfuratrizes autônomas capazes de realizar ciclos completos de perfuração sem o operador são exemplos de tecnologias que vêm transformando o dia a dia das minas subterrâneas. O que mais tem avançado hoje é o Teleremote, que permite controlar os equipamentos da superfície, dispensando a presença do operador na mina. Isso representa um salto de segurança, já que ele não estará exposto ao ambiente subterrâneo.
Contudo, a adoção dessas tecnologias ainda enfrenta barreiras. O alto custo operacional e a necessidade de infraestrutura de conectividade robusta, como redes de fibra óptica e internet de alta velocidade e estabilidade, são fatores que limitam a disseminação da automação nas minas subterrâneas brasileiras. Minas muito profundas exigem grandes investimentos em cabeamento e estrutura digital, o que ainda é um desafio econômico para muitas operações. A Epiroc tem investido na aquisição de outras empresas exatamente para suprir essa demanda crescente, e hoje tem a capacidade de oferecer desde o suporte consultivo até a instalação completa da infraestrutura.
Perfil dos trabalhadores
As transformações tecnológicas também impactam o perfil dos trabalhadores nas minas subterrâneas. As novas gerações de equipamentos são mais intuitivas, com interfaces digitais, telas touch e controles responsivos, exigindo requalificação, mas com curva de aprendizado reduzida. O operador do futuro será alguém que monitora a operação, e não quem está na linha de frente. Vamos ver cada vez mais equipamentos elétricos e autônomos, eliminando o uso de combustíveis fósseis e tornando o ambiente subterrâneo mais ameno.
A Epiroc já é protagonista dessa transição. Isso porque a multinacional foi responsável pela primeira carregadeira elétrica para mina subterrânea no Brasil, em operação na AngloGold, na mina de Cuiabá (MT). A bateria do equipamento é monitorada por inteligência artificial, o que aumenta a eficiência e a segurança. Os equipamentos da Epiroc são concebidos para garantir total segurança operacional. Quando uma máquina autônoma está em funcionamento, ela emite alertas visuais e sonoros, informando que nenhuma pessoa deve se aproximar. São diversos sistemas interligados que reforçam a cultura de segurança.
Sobre a mineração subterrânea
A mineração subterrânea é um método de extração que exige a criação de túneis e galerias para alcançar os depósitos minerais localizados em profundidade. Devido à sua complexidade técnica, demanda investimentos substanciais em infraestrutura, equipamentos especializados e protocolos de segurança robustos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Brasil produz cerca de 70 minerais em 3.354 minas — mas apenas 4% delas são subterrâneas, o que evidencia a predominância das operações a céu aberto no país. As principais minas subterrâneas brasileiras estão localizadas nos estados da Bahia, Minas Gerais, Pará, Goiás, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul, de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM).





