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Bate-bola com Raul Jungmann, diretor-presidente do IBRAM

Em entrevista exclusiva para o portal Mineração, Raul Jungmann, diretor-presidente do IBRAM – Instituto Brasileiro da Mineração, fala sobre números do setor, investimentos previstos, gargalos, impactos da super taxação dos minérios brasileiros pelo governo estadunidense, potencial brasileiro em minerais estratégicos e críticos, assim como em terras raras, incluindo a descoberta de novas jazidas, entre outros temas, a exemplo de importância das máquinas e equipamentos para a mineração e a realização da Exposibram 2025.

Confira!

Quais os números atuais da mineração e quais as metas para o ano?

R: De janeiro a junho de 2025, as exportações minerais totalizaram US$20 bilhões, correspondentes a 192,5 milhões de toneladas, enquanto as importações somaram US$4 bilhões (19,9 milhões de toneladas). Com isso, o comércio exterior de minérios gerou um superávit de US$16 bilhões, equivalente a 53% do saldo total da balança comercial brasileira no período (US$30,09 bilhões). No 1S24, essa participação era de 41%. Ainda no primeiro semestre deste ano, a indústria da mineração registrou crescimento de 7,5% tanto no faturamento quanto no recolhimento de tributos, além da criação de 5.085 novos postos de trabalho, totalizando 226 mil empregos diretos.

Qual o valor de investimentos previstos?

R: Para o período de 2025 a 2029, estão previstos investimentos totais de US$68,4 bilhões, o que representa um aumento de 6,6% em relação aos US$64,15 bilhões projetados para o período anterior (2024-2028).

No que o tarifaço do Trump está afetando o setor em termos de resultados e de investimentos?

R: Os EUA respondem por 4% das compras de minérios do Brasil e se situam como o 12º maior importador de minérios de nosso país em tonelagem. Pela apuração feita pelo IBRAM, o tarifaço atingiria cerca de 25% das exportações minerais brasileiras para os Estados Unidos.

Que outros gargalos o setor enfrenta hoje e quais os caminhos sinalizados pelo IBRAM?

R: O IBRAM defende uma abordagem política e econômica integrada, que envolva a modernização e a criação de leis específicas, a oferta de incentivos fiscais e linhas de crédito adequadas, além de investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento. Essas ações são consideradas fundamentais para que o Brasil consiga transformar seu vasto potencial mineral em desenvolvimento econômico e social sustentável, consolidando sua posição no cenário global da transição energética.

O Brasil tem à frente uma oportunidade de expandir produção de minerais críticos e estratégicos, mas isso exige providências diversas, como elevar o nível de conhecimento geológico, fortalecer a Agência Nacional de Mineração, reduzir burocracia nos processos que envolvem todas as etapas de implantação de um empreendimento minerário, criar linhas de crédito adequadas ao risco do investimento, entre outras propostas relacionadas aos minerais críticos, como:

●            equiparação das despesas com pesquisa mineral às de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), com acesso à Lei do Bem;

●            estímulo a unidades industriais de separação de óxidos de terras raras;

●            incentivos à agregação de valor ao lítio;

●            criação de instrumentos financeiros adequados, como debêntures incentivadas.

Quais os minerais estratégicos e críticos que vêm se destacando em termos de produção? Qual o potencial e qual o volume da produção atual? Que Estados estão entre os principais produtores?

R:  O Brasil figura entre os líderes globais em reservas e em produção de diversos minerais críticos e estratégicos (em ordem alfabética) – bauxita/alumínio (2º em reservas e em produção); chumbo (10º em reservas e 37º em produção); cromo (6º em reservas e 7º em produção); grafita (2º em reservas e 4º em produção); lítio (7º em reservas e 5º em produção); nióbio (1º em reservas e em produção); níquel (3º em reservas e 8º em produção); terras raras (2º em reservas e 11º em produção); titânio (4º em reservas e 16º em produção); vanádio (5º em reservas e 4º em produção); zinco (12º em reservas e 14º em produção).

O IBRAM alerta que o Brasil precisa tomar providências, como aprovar política pública, para expandir a produção mineral, em especial, dos minerais críticos e estratégicos (MCEs) para diversas finalidades, como a transição energética; para tecnologias como baterias de veículos elétricos (lítio, níquel), para fabricar ímãs de alta performance (terras raras) e ligas avançadas (nióbio).

Com relação a terras raras, quais os minerais que se destacam? Quais as perspectivas?

R: Os ETR abrangem 17 metais distintos, fundamentais para turbinas eólicas e motores de veículos elétricos. Estima-se que o principal uso final de terras raras seja como catalisadores. Quantidades significativas de terras raras são importadas como ímãs permanentes embutidos em produtos acabados. Outros usos finais foram cerâmica e vidro, aplicações e ligas metalúrgicas e polimento.

Oportunidades para o Brasil: A descoberta e a exploração de ETRs em argila iônica oferecem grandes oportunidades para o Brasil desempenhar um papel importante na cadeia global de ETRs.

A Nova Indústria Brasil e projetos de pesquisa aplicada, como o Mag Bras, têm o potencial de viabilizar a produção de alta tecnologia no Brasil, aproveitando as reservas de terras raras (ETR) presentes nas argilas iônicas.

Os ETR abrangem 17 metais distintos, fundamentais para turbinas eólicas e motores de veículos elétricos. Estima-se que o principal uso final de terras raras seja como catalisadores. Quantidades significativas de terras raras são importadas como ímãs permanentes embutidos em produtos acabados. Outros usos finais foram cerâmica e vidro, aplicações e ligas metalúrgicas e polimento.

Como a descoberta da jazida de terras raras em Minas Gerais impacta o mercado e a produção nacional?

R: A descoberta de novas jazidas é a comprovação de que o Brasil pode transformar potencial em realidade produtiva. Mas não basta ter reservas, é preciso construir parâmetros para se tornar altamente competitivo no mercado internacional. No caso de terras raras, a China domina este mercado e, assim, consegue inibir a concorrência.

Quais as necessidades que a indústria de máquinas e equipamentos precisa atender na exploração e na produção desses minerais estratégicos e críticos e também das terras raras?

R: A indústria de máquinas e equipamentos precisa estar alinhada às características dos projetos e expansões que a indústria de mineração vem praticando para atender às melhores práticas nacionais e internacionais em sustentabilidade socioambiental e dos negócios. As principais iniciativas envolvem projetos de:

•             Redução de emissões

•             Fontes de Energia Renováveis, como eólica e solar

•             Planta Tecnológicas Otimizadas

•             Planos de descarbonização

•             Conservação florestal

•             Otimização e Gestão de recursos hídricos

•             Mitigação de Efeitos climáticos

•             Troca/Substituição de combustíveis

•             Aproveitamento de resíduos

•             Diversos projetos comunitários e sociais, como modernização de hospitais, escolas, infraestrutura de transporte comunitários

•             Recuperação de nascentes

Falando sobre Exposibram, o que o visitante pode esperar encontrar? Que tecnologias se destacam hoje para a mineração?

R:  A EXPOSIBRAM 2025, maior evento de mineração da América Latina, desembarca em Salvador reforçando o papel estratégico da Bahia e do Nordeste como nova fronteira mineral do Brasil. O visitante encontrará uma programação ampla que inclui debates sobre mineração responsável, transição energética, ESG, inovação tecnológica, diversidade e sustentabilidade, além de painéis com especialistas, autoridades e representantes do setor privado.

No campo da tecnologia, o evento reunirá as principais mineradoras em atuação no país e fornecedores de soluções de ponta, com destaque para tecnologias aplicadas à automação, uso de dados, realidade virtual, inteligência artificial, equipamentos de alta performance e práticas de mineração 4.0. A feira também contará com Rodadas de Negócios, conectando mineradoras e fornecedores estratégicos.

Além disso, a EXPOSIBRAM oferecerá experiências culturais e educativas, como o espaço “Mina de Sons”, com shows regionais, e o “Mineramundo”, voltado à educação interativa para estudantes. A expectativa é de receber cerca de 30 mil participantes, em um ambiente que combina negócios, conhecimento e cultura.